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Duas questões relativas aos escravos
estremeceram Cabo Frio ao longo do século. A primeira refere-se
ao crescimento das fugas, assassinatos de feitores e rebeliões
de negros, resultando na formação de quilombos que
sobressaltaram os senhores brancos, a despeito da ação dos
capitães-do-mato. A segunda diz respeito a proibição do tráfico
transatlântico de escravos e o contrabando florescente que dele
derivou.
A praia do
Peró,
em Cabo Frio, era ponto de desembarque clandestino deste comércio
humano. A marinha inglesa, em flagrante desrespeito às leis
brasileiras, promoveu repressão ao tráfico e chegou a
apreender navios negreiros na costa e a desembarcar fuzileiros
navais em Cabo Frio e Búzios.
Nas décadas finais do século XIX, a
barra e antigo porto de Araruama receberam novos melhoramentos
do governo imperial, dando passagem a navios maiores e tendo o
ancoradouro ampliado, fatores essenciais ao incremento da
exportação regional. Alguns assoreamentos críticos do Canal
do Itajuru foram dragados e canalizados, por iniciativa
particular do engenheiro francês Leger Palmer, permitindo a
ampliação da carga e a navegação mais eficiente dos vapores
e veleiros que transportavam a grande produção de sal para os
armazéns da cidade. |